Escolher uma praia em Xàbia durante o verão já não depende apenas do vento ou das condições do mar. A presença de medusas tornou-se outra preocupação comum entre moradores e turistas. Para lidar com essa incerteza, foi lançada uma nova iniciativa. MedusAppName, um aplicativo gratuito desenvolvido pela Universidade de Alicante (UA) e pela Universidade Politécnica de Valência (UPV) que permite saber, quase em tempo real, se há águas-vivas nas praias, graças às informações fornecidas pelos próprios banhistas.
A plataforma, que já ultrapassou 700.000 downloadsNeste verão, o projeto incorpora um mapa interativo onde os usuários podem consultar os avistamentos registrados e relatar a presença — ou ausência — de águas-vivas em qualquer praia do mundo, incluindo as de Xàbia e o restante da Marina Alta.
São os frequentadores da praia que mantêm o aplicativo funcionando.
Uma das principais características do MedusApp é que ele funciona através de ciência cidadãSão os próprios usuários que relatam voluntariamente se viram águas-vivas durante sua estadia na praia.
Conforme explicou o professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Alicante, César Bordehore, sobre Cope, «o 99% das informações Os dados compilados pela plataforma provêm diretamente das contribuições dos banhistas, permitindo a criação de um mapa atualizado que serve de referência para outros usuários."
Além do mapa, o aplicativo inclui fichas informativas para identificar as diferentes espécies, informações sobre sua biologia, recomendações de primeiros socorros para picadas e mordidas e até mesmo um sistema baseado em Inteligencia artificial capaz de reconhecer a espécie a partir de um fotografia.
Uma ferramenta útil para as praias de Xàbia
Durante os meses de verão, as praias de Xàbia recebem milhares de visitantes, e o aparecimento de águas-vivas costuma gerar inúmeras solicitações aos salva-vidas. Nesse contexto, aplicativos como o MedusApp podem ser uma ferramenta complementar para saber o que está acontecendo a qualquer momento, embora seja sempre recomendável seguir as instruções dos salva-vidas e respeitar a sinalização da praia.
Por se tratar de uma plataforma colaborativa, as informações são atualizadas continuamente à medida que os usuários registram novos avistamentos, permitindo uma visão bastante precisa da situação em diferentes pontos ao longo da costa.
A espécie mais comum muda
Os dados coletados pelo MedusApp também permitem que pesquisadores analisem a evolução das águas-vivas no Mediterrâneo.
Como explicou César Bordehore, "a espécie mais relatada pelos usuários já não é a conhecida água-viva-cravo (Pelagia noctiluca), mas o chamado ovo frito de medusa (Tuberculata Cotylorhiza), considerada muito menos irritante e facilmente reconhecível por sua aparência amarelada."
Essa mudança se deve a diversos fatores biológicos e ambientais, incluindo a evolução das correntes oceânicas e o aumento da temperatura da água, que estão modificando os ciclos de desenvolvimento de algumas espécies.
O calor do mar antecipa o seu aparecimento.
Especialistas indicam que o aumento da temperatura no Mediterrâneo está acelerando o crescimento das águas-vivas, fazendo com que exemplares grandes apareçam mais cedo do que o normal. Isso significa que a presença delas coincide cada vez mais com o auge da temporada de banho, especialmente durante julho e agosto.
O que fazer se você encontrar uma água-viva?
Especialistas enfatizam uma recomendação básica: Nunca toque em uma água-viva.mesmo que pareça morto ou seja encontrado encalhado na areia.
Em caso de detecção de um caravela portuguesaConsiderada uma das espécies mais perigosas que ocasionalmente chegam à costa do Mediterrâneo, a recomendação é não entrar na água e notificar imediatamente os serviços de salvamento para que possam agir em segurança.
Além de consultar o aplicativo, os especialistas lembram que a melhor informação continua sendo a oferecida pelas equipes de vigilância das praias, responsáveis por avaliar as condições de banho em todos os momentos e garantir a segurança dos usuários.








